muito tempo, nenhuma direção

Faço resenhas de fotografias
que ninguém ainda tirou
porque é muito fácil me apaixonar
pelo que ainda não existe
como quando inventamos de navegar
cruzando a américa
e o verde da água
era o que mais chamava minha atenção
não a rural cheia de parentes
nem o choro das crianças
nem mesmo o aparecimento repentino
de uma tia distante
nada disso foi mais significativo
que aquela cor e todas as possibilidades de tom
que ela mostrava
enquanto a água balançava
se estava enchendo
se estava secando
não tive tempo de dizer
mas tempo é o que eu mais tenho
por isso que ainda espero
não perder a capacidade
de saber
como a maré se comporta
agora que eu
de mar
só tenho o nome.

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